A deputada federal Sâmia Bomfim denunciou um suposto esquema envolvendo contratos milionários da Prefeitura de São Paulo com organizações não governamentais ligadas aos produtores do filme “Dark Horse”, produção associada ao entorno político da família Bolsonaro.
Segundo a parlamentar, a principal entidade citada é o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, também apontada como dona da produtora Go Up Entertainment. De acordo com a denúncia, a ONG acumulou contratos milionários com a gestão do prefeito Ricardo Nunes após as eleições municipais.
Entre os contratos mencionados está um acordo sem licitação no valor de R$ 100 milhões para instalação de redes wi-fi em comunidades da capital paulista. Ainda segundo a denúncia, o instituto não possuía experiência anterior na área de telecomunicações, o que levanta suspeitas sobre a regularidade do processo.
A deputada afirma que, entre julho e agosto de 2024, o ICB recebeu cerca de R$ 11 milhões pelo fornecimento de internet em aproximadamente 3.200 pontos da cidade. No entanto, segundo as acusações, apenas seis pontos estariam funcionando no período citado.
As denúncias também envolvem a Academia Nacional de Cultura, outra ONG presidida por Karina Ferreira da Gama. Conforme divulgado, a entidade teria recebido cerca de R$ 2,6 milhões em emendas parlamentares de deputados bolsonaristas, entre eles Carla Zambelli, Alexandre Ramagem e Bia Kicis, para produção de uma série audiovisual que, segundo a denúncia, nunca foi concluída.
O deputado Mário Frias, apontado como produtor-executivo do filme “Dark Horse”, também é citado por ter destinado cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil.
Ainda conforme a parlamentar, servidores municipais teriam enfrentado dificuldades para localizar a sede da ONG e realizar fiscalizações presenciais, mesmo com os pagamentos sendo mantidos pela administração pública.
O caso está sob investigação do Ministério Público e também é acompanhado por órgãos de controle. Até o momento, os citados nas denúncias não haviam apresentado posicionamento oficial sobre todas as acusações.

